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segunda-feira, janeiro 19

Música: Eurovisão até Tonicha

Antes de principiar o meu artigo, tenho necessidade de esclarecer o modo como a linha que rege o caminho dos meus artigos seguirá nas próximas semanas. Após na semana passada ter olhado para os primeiros quatro anos de Portugal na Eurovisão, e esta semana para o quarteto de anos seguinte, começarei a fazer uma espécie de compilação dos melhores momentos da história lusa na Eurovisão. Assim, na próxima semana criarei uma espécie de top 5 das melhores interpretações dos anos 70, seguida de outro dedicado aos anos 80, e depois dos anos 90. Assim poderei relembrar-vos alguns dos êxitos lusos na Eurovisão, num verdadeiro espólio de tesouros para os ouvidos.
Voltando ao artigo.

1968, 1969, 1970 e 1971. Quatro anos ricos para a música em Portugal, recheados de canções vanguardistas, letras fortes, ritmos embaladores. Numa palavra, clássicos!

Começamos em 68 com Carlos Mendes na sua primeira participação no Festival da Canção. A música chama-se "Verão" e faz lembrar os ritmos dos The Beach Boys. A música é um passo em frente, um fugir á tradicional música portuguesa mais sentimental (de um modo algo negro e saudosista), para se refugiar em tons solarengos, numa voz jovem, e num instrumental digno de acompanhar a vida agitada, e, por outro lado, despreocupada de um surfista. Ainda assim, não obstante a qualidade da música, Carlos Mendes era jovem e inexperiente, o que explica a actuação menos consistente.









No ano seguinte, Simone de Oliveira volta á Eurovisão, e volta em grande, com a potentíssima "Desfolhada Portuguesa", provavelmente a melhor música portuguesa que alguma vez representou Portugal nos palcos europeus. Arrepiante. Absolutamente. A letra fez história, na medida em que foi polémica. Nunca ninguém se atreveria a cantar, antes de Simone, uma letra como esta. "Quem faz um filho, fá-lo por gosto" canta ela, e quem ouve esta música, ouve-a com gosto!
Há quem diga que a música apenas ficou nos últimos lugares, devido ao facto de Portugal continuar a viver num regime ditatorial, e graças a isso, a Áustria apelou á sabotagem da canção portuguesa, como forma de protesto. Assim, com apenas 2 pontos da França, e 1 da Bélgica, Portugal e "Desfolhada Portuguesa" não chegaram ao topo, como merecido.







Chegámos aos anos 70, pela mão de Sérgio Borges. No ano em que Julio Iglesias representou a Espanha, Portugal não participa a Eurovisão, embora tenha realizado o Festival da Canção da RTP, no qual Sérgio Borges vence a todos os outros concorrentes. Foi um golpe para Sérgio Borges, uma vez que este tinha já a expectativa de representar o seu país na Holanda, onde se realizaria o festival nesse ano. Tanto Portugal, como os 3 países da Escandinávia recusaram participar na edição de 1970, insatisfeitos com os resultados dos anos anteriores e com o sistema de votação.


Em 1971, Portugal regressa em força á Eurovisão. Tonicha, interpretando "Menina do Alto da Serra", que se posiciona num honroso 9º lugar, entre 18 países. Com uma imagem calma, bela, a roçar o hippie, Tonicha conquista todos com uma música de Ary dos Santos, considerada um dos símbolos da transição entre os anos 60 e 70.