sábado, novembro 8

Cinema: Um, Dois, Três... Acção!


A sua história

O Costa do Castelo é um filme português realizado por Arthur Duarte, em 1943. Caracteriza-se pela presença de actores como António Silva, Milú e Hermínia Silva. O tema abordado neste filme está também um pouco retratado noutros filmes do realizador como por exemplo no filme Leão da Estrela. O Costa do Castelo fala de amor. De reencontros, de paixões aparentemente perdidas mas que vivem mais perto do que imaginado. É um filme que ainda hoje transmite nostalgia e que nas personagens vemos um pouco de nós.

O seu realizador

Arthur Duarte, nascido a 17 de Outubro de 1895 e falecido a 22 de Agosto de 1982, teve o seu maior êxito com filmes como O Costa do Castelo. Começou como actor, mas o seu gosto pela criação e realização de filmes aproximou da carreira de cineasta. Foram os seus filmes cómicos, que deram à sua carreira força e prestigio. Entre eles, os filmes de renome como o Leão da Estrela, A Menina da Rádio e O Noivo das Caldas, conhecidos pelo público.


A sua protagonista


A protagonista deste filme é Milú (seu verdadeiro nome Maria de Lurdes de Almeida Lemos), que interpretava o papel de Luisinha, uma rapariga pobre que se viria a casa com um rapaz de boas famílias. Neste filme, Milú transparece a sua incomparável beleza, notório em todos os filmes privilegiados pela sua presença, como também o encanto da sua voz na canção “A Minha Casinha”. Sim, esta canção não é um original do conhecido grupo Xutos e Pontapés. A sua versão muito mais roqueira que hoje conhecemos é uma homenagem, feita pelo grupo musical à grande vedeta do cinema português. Milú nasceu a 24 de Abril de 1926 e faleceu a 5 de Novembro de 2008. Mas o seu talento, tanto para a arte da representação como musical, irá permanecer para sempre nas nossas memórias e eternamente gravado nos filmes marcados pela sua presença em cena.

sexta-feira, novembro 7

Arte Popular: Marchas Populares


Lisboa na noite de Santo António, noite de 12 para 13 de Junho, vem para a rua para o desfile das Marchas Populares dos bairros de Lisboa. Tradicionalmente, este desfile dá-se na Avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores.Tudo começou em 1932 por iniciativa de Leitão de Barros, director do “Notícias Ilustrado”, com o apoio de Norberto de Araújo e do “Diário de Lisboa”, promoveram então as primeiras marchas.
Concorreram de inicio 3 bairros (Alto do Pina, Bairro Alto e Campo de Ourique) e ainda deram adesão a outras tantas (Alcântara, Alfama e Madragoa). Foi muito, para quase uma improvisação. Nesse ano, na marcha de Alcântara, figurou uma jovem humilde, a cantar o fado: AMÁLIA RODRIGUES. Hoje em dia as marchas que desfilam são: Bairro da Ajuda; Alcântara; Alfama; Alto do Pina; Bairro Alto; Benfica; Bica; Campo de Ourique; Campolide; Carnide; Castelo; Graça; Madragoa; Marvila; Mouraria; Olivais; Penha de França; São Vicente.

quarta-feira, novembro 5

Pintura: Expressão no feminino - Sarah Afonso



“Não está ainda explicado o que levou uma mulher como Sarah Afonso, a isolar-se voluntariamente do mundo da Arte para o qual nasceu e exerceu de uma forma talentosa, o desenho e a pintura. Sarah Affonso revela-se como que isolada do presente histórico do seu tempo, quando interpretada na rebeldia dos temas e personagens que escolhe para a sua pintura, genuína, de formas cromáticas generosas e bem iluminadas.”

Apresento-vos Sarah Afonso, uma das mais consagradas pintoras portuguesas do século XX, porém pouco conhecida pelo público em geral.


Sarah Afonso nasceu a 1899 em Lisboa, morrendo nos anos 80 na mesma cidade.
Discípula de Columbano, aprendeu técnicas relacionadas com o pós-romantismo, porém as suas obras plásticas tinham uma clara inclinação para o Modernismo, movimento que viveu no início do século XX em Portugal.




Sarah Afonso foi acima de tudo uma mulher de convicções e talento num mundo de homens em que se baseou o mundo artístico até recentemente. Foi a primeira mulher a frequentar o café “A Brasileira” no Chiado, expôs no Primeiro Salão de Artistas Independentes, realizado em 1930 e fez uma exposição individual em 1939. Já nos anos 40 participou na Exposição do Mundo Português e recebeu o Prémio Amadeu Souza-Cardoso.

Com já 35 anos casa com o reconhecido pintor Almada Negreiros, mas felizmente a sua dedicação à família não a impediu de continuar a pintar e de nos deixar uma importante herança artística.




Aqui fica uma sugestão: Algumas das pinturas de Sarah Afonso encontram-se representadas no Museu do Chiado e no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, por isso aproveitem e dêem uma espreitadela!

segunda-feira, novembro 3

Literatura: "Pergunta", por Fernando Namora

Quem vem de longe e sabe o nome do meu lugar
e levou o caminho das conchas em mar
e dos olhos em rio
— quem vem de longe chorar por mim?

Quem sabe que eu findo de dureza
e condensa ternura em suas mãos
para a derramar em afagos
por mim?

Quem ouviu a angústia do meu brado,
sirene de um navio a vadiar no largo,
e me traz seus beijos e sua cor,
perdendo-se na bruma das madrugadas
por mim?

Quem soube das asperezas da viagem
e pediu o pão negado
e o suor ao corpo torturado,
por mim? por mim?

Quem gerou o mundo e lhe deu seu nome
e seu tamanho — imenso, imenso,
e em mim cabe?

Fernando Namora (1919-1989) foi um poeta português, assim como escritor, autor de romances e ensaios, e ainda médico de profissão. O seu estilo lavrou-se de tendências de diferentes conceitos de literatura. Em geral, é apontado como um incontornável nome do neo-realismo português - porém, como ilustra este poema que aqui apresento, é possível salientar uma expressividade de sensações que se tornou comum pela escrita existencialista, que viria na cronologia a suceder as marcas neo-realistas.

Este poema do poeta de Condeixa-a-Nova (vila cerca de Coimbra) recebeu o título adequado aos aspectos que quero sublinhar nele. O existencialismo, aqui nos seus primeiros passos em Portugal, decorre de uma busca incessante do artista pelas suas origens, pela procura pela filosofia, pelo sentido da existência. Este poema facilmente serviria como manifesto do existencialismo: nele se expõe a dúvida do ser humano; vejamos atentamento o conteúdo do poema, para depois passarmos à forma, deveria ser pela ordem inversa, porém não causa danos e será pertinente.

O sujeito desconhece, e isso o preocupa mais do que o resto, quem tomará na vida o cuidado da dele: quem se importará do seu mal sem que a esse outro alguém lhe surja um mal que lhe abra a vista e tempere o coração com a caridade. Em linhas gerais, simplesmente, ele resume que existem dois pontos de vista de concluir a solidão de todos os sujeitos no mundo: em primeiro lugar a necessidade de sermos por nós próprios, tudo o que precisamos sermos os nossos concessores; em segundo lugar, essa precisão advém da já solidão em que vivemos, escondendo as mágoas e o confronto com as adversidades, que, enquanto estas nos moldam, tentamos omitir, criando entre nós e os outros uma barreira mais e mais espessa, tornando-nos impenetráveis. Pela nossa natureza, iludimos os outros, mesmo quando nos conhecemos. Pois, em geral, nem nós nos conhecemos.

Quanto à forma do poema, nota-se algo que eu já referi em mensagens passadas: uma libertação em relação às normas rígidas que em diferentes séculos forçou os poetas a cumprirem regras rimáticas e métricas. Na verdade, percebe-se a herança e o contributo do romantismo, no século XIX, que introduziu esta liberdade, e mais, pois não conto ainda com o fluir mais despreocupado do discurso, uma linguagem mais acessível. Aproveito a condução deste texto para justificar a gradual concessão de liberdade linguística que marca a História da literatura: no passado, a literatura era dirigida a elites, formadas e donas de um vocabulário rico, e com os tempos e a alfabetização crescente, precisa-se que o conteúdo seja legível e compreensível ao público, caso contrário este optará por outro autor mais contido. Afinal, é sonho dos artistas viverem da sua arte, e na literatura isso resume-se à venda de exemplares. Retomando e finalizando, note-se o início das diferentes estrofes com a introdução da pergunta, sempre igual e fundamental: "quem", pois é essa a questão do poema.

Na semana seguinte darei a conhecer um outro texto de Fernando Namora, concretamente uma reflexão acerca das alterações a que o amor submete as pessoas e até em que poderão conhecer o segredo para o presente perfeito, material ou imaterial.

domingo, novembro 2

Música: 15 factos que precisa de saber sobre a Canção de Coimbra

*Tem Origem no século XIX, sendo o expoente deste século Augusto Hilário(ao lado).

*Originalmente, o Canto de Coimbra era operístico.

*Especialmente no século XX, o modo de cantar a música da universidade passou a ser "lamechas, doentio, piegas, que dominava o ambiente musical académico" de início de século.

*O fado de Coimbra reflecte, por um lado,o saudosismo tipicamente português, a ternura dos amores de estudante, por outro o vigor da juventude, o "idealismo das atitudes", as esperanças de um amor possível.

*Na década de 1910, António Menano começa um cruzamento entre o melancólico Fado de Coimbra e o ritmo alegre das canções e fados de Lisboa.

*Edmundo Bettencourt (abaixo) também tem um papel considerável no "arejar" da Canção coimbrã, fundindo o estilo inconfundível dos académicos de Coimbra, com algumas características da música popular de outras regiões do país, tornando o fado mais rico.

*Faz parte de quase todas as manifestações de carácter estudantil, tendo como principal exemplo a Queima das Fitas.

*O fado de Coimbra ultrapassou as fronteiras da cidade, instalando-se também no Porto e em Braga.

*Exclusivamente cantado e tocado por homens.

*As calças e a batina preta, cobertas por capa de fazenda de lã preta são traje ilustrativo da canção coimbrã.

*É cantado à noite, em sítios escuros. Porém o locais mais típicos para as interpretações são o Mosteiro de Santa Cruz e a Sé Velha.

*As serenatas, interpretadas à janela das raparigas que os rapazes pretendem namorar, são outros dos tradicionalismos das tunas de Coimbra.

*"As cordas são afinadas um tom abaixo, e a técnica de execução é diferente por forma a projectar o som do instrumento nos espaços exteriores, que são o palco privilegiado deste Fado. Também a guitarra clássica se deve afinar um tom abaixo. Esta afinação pretende transmitir à música uma sonoridade mais soturna, relativamente ao Fado de Lisboa."

*Zeca Afonso e o pai de Carlos Paredes, Artur Paredes, iniciaram-se nas tunas coimbrãs.

*"Fado Hilário" é um dos clássicos de Coimbra, entre outros. Curiosamente, o tema mais conhecido sobre Coimbra não é um Fado de Coimbra, e dá pelo nome de "Coimbra é uma lição".

Abaixo uma interpretação da "Balada da Despedida do VI Ano Médico"