segunda-feira, novembro 17

Música: Sobre Alfredo Marceneiro



Alfredo Marceneiro é o fadista masculino português mais acarinhado de sempre. Idolatrado pelo povo, Marceneiro conquistou o seu público com os seus famosos requebres na voz, que davam outra vida á música.
No "Livro de Oiro" do fadista constam inúmeras frases acerca do homem que conquistou a sua Lisboa, e todo o Portugal com a sua alma de fadista.
Melhores do que eu para falar de Marceneiro, são os seus companheiros de vida e eternos fãs.
São as seguintes, algumas frases sobre Alfredo Marceneiro.


"Se eu não fosse Hermínia Silva gostava de ser Alfredo Marceneiro."
HERMÍNIA SILVA


"O Alfredo é, para mim, um dos “grandes” do Fado. Tão sincero na vida como na arte. Por tudo, vai para ele a mais sincera simpatia e a maior admiração."
LUCÍLIA DO CARMO


"Alfredo Duarte junta à sua qualidade de ser um excepcional interprete do Fado, atributos de ser um perfeito homem de bem."
VALENTIM DE CARVALHO

"Porque sou “Alfacinha da gema” porque amo o Fado e todas as coisas da minha terra, aqui vai a minha sincera homenagem ao Alfredo Marceneiro, o maior fadista da minha geração, o maior e melhor representante da minha querida Lisboa."
RAUL SOLNADO

"A Severa e o Alfredo Marceneiro, são o fado deste país."
MÁRIO DE ARAUJO


"O Alfredo Marceneiro é o próprio Fado com alma e coração."
LUIZ PIÇARRA

"O único fadista!"
JOSÉ RÉGIO

"Guardo entre as profundas emoções da minha vida o som pessoalíssimo da voz do Alfredo Marceneiro. Ele e o Fado são um e a mesma pessoa."
JOÃO VILLARET

"Mais que um fadista, Alfredo marceneiro é a carne e o sangue, o coração e a alma do Fado. O próprio Fado. Aquela voz estranha, semi-rouca, cava, -que não é dado a todos sentir nem compreender... dá-nos todas as gamas de sensações imagináveis, traduz todos os estados de alma. Acaricia e arranha. Dulcifica e amarga. Fere e cura. (...) É tempestade a rugir e brisa a refrescar. Epopeia de vencido e amargura de triunfador. Por isso, o Alfredo -é grande..."
FRANCISCO RADAMANTO


"Depois de ouvir o Alfredo Marceneiro cantar até me sinto mais fadista."
FERNANDO FARINHA

"O Fado tem tido muitas mulheres, algumas, mesmo, heroínas da canção dolente e bonita. Homens - só um: Alfredo Marceneiro. Ligou o passado ao presente, e com a sua alma errante, luminosa e ingénua, colocou o Fado num plano de “Auto do Povo”, que ficará na história do nosso tempo."
NORBERTO DE ARAÚJO

"O Alfredo Marceneiro a cantar, uma guitarra a gemer, e temos o Fado castiço e puro. A eterna canção da nossa terra."
EUGÉNIO SALVADOR


"O Alfredo Marceneiro faz-me lembrar os frascos de essência rara! Que pequeno homem!... Que grande alma!..."
Dr.JOSÉ DUQUE

"Alfredo tu és o fado!..."
AMÁLIA RODRIGUES

quarta-feira, novembro 12

Pintura: O Surrealismo por cá

O Surrealismo em Portugal protagonizou uma nova ruptura estética, durante à Segunda Guerra Mundial, que se opôs fortemente ao facto de o modernismo se ir tornando a “arte oficial” do Estado Novo. Foi então nos anos 40 que o Surrealismo, aqui no nosso país, se revelou em torno de artistas como, os reconhecidos, António Pedro e António Dacosta.

António Pedro:








  • Nasceu a 1909 em Cabo Verde e morre no Minho em 1966.
  • Frequentou a faculdade de Letras e Direito.
  • Em 1925 expôs pela primeira vez desenho e caricatura com o pintor José Vasco.
  • Em 1932 fundou a primeira galeria de arte moderna em Lisboa, a UP.

  • Estudou História da Arte em 1933, em Paris.

  • Assinou, em 1935, juntamente com Duchamp, Calder, Kadinsky, Picabia, Delaunay, Arp, Moholy-Nagy, Miró e Ben Nicholson, o “Manifesto do Dimensionismo”.

  • Em Novembro de 1940, participa numa exposição no Chiado, com António Dacosta e Pamela Boden, que marcou a acção surrealista em Portugal.

  • Em 1949, fez parte da I Exposição Surrealista em Lisboa onde dirigiu dois grupos de teatro.

  • Até ao fim da sua vida dedicou-se também à escultura surrealista.

António Dacosta:"Não se interrompe o que se é, não se deixa de ser quem se é, não se recomeça, é-se."











  • Nasceu na Angra do Heroísmo em 1914 e morreu em Paris a 1990.
  • Em 1935 deslocou-se para Lisboa onde ingressou na Escola Superior Artes.

  • Em 1940 participou na, já referida, exposição com António Pedro e Pamela Bonden.

  • Em 1947 foi viver para Paris.

  • Em 1949 enviou algumas das suas obras para a I Exposição Surrealista em Lisboa.

  • Após esta exposição abandonou a pintura, devido a parte das suas obras terem sido destruídas num incêndio, envergando pela literatura, em especial, pelas críticas de arte.

  • Em 1975 volta à pintura.

segunda-feira, novembro 10

Literatura: Fernando Namora reflecte...

Assim como prometido desde a anterior semana, deixo convosco palavras do poeta e ensaísta que vos apresentei, quase solenemente pela extensão do recado que lhe satisfiz, e o qual me têm vindo a temer como demasiado longo, de seu nome Fernando Namora. O tema desta curta reflexão é o amor, e como ele se pode definir quando olhando as criações que advêm da sua manifestação nos homens. Aqui o deixo para vossa leitura:
"O verdadeiro gesto de amor

Aquilo que de verdadeiramente significativo podemos dar a alguém é o que nunca demos a outra pessoa, porque nasceu e se inventou por obra do afecto. O gesto mais amoroso deixa de o ser se, mesmo bem sentido, representa a repetição de incontáveis gestos anteriores numa situação semelhante. O amor é a invenção de tudo, uma originalidade inesgotável. Fundamentalmente, uma inocência."

Bem acautelei que era curto, mas assim até corre ao encontro do que me foi pedido para esboçar esta semana, talvez em compensação ao entusiasmo desmedido e criticado da semana que passou ontem. Aproveito o texto, respeitando-o conforme desejo, para o analisar de acordo com este peso com que vos tenho sacrificado desde o começo deste texto... Deus! O amor, como o meu gosto por estes temas que também como amor deve ser classificado, é criador de originalidade inesgotável, e faz-me fazer aquilo que os outros não se lembrariam de fazer se ocupassem a minha cadeira, que é escrever, escrever, na verdade sem interessar muito quantos leitores me hão-de apoiar nestes textos cuja extensão se assemelha aos caminhos de ferro que teriam de ser empregues para unir a Terra e a Lua. Ora, poucos haveriam de usufruir desse caminho de ferro, e de igual forma não sei quanta população satisfaço ou informo convenientemente com estas mensagens que inicio sem querer terminá-las.

No medo incómodo de me tornar maçador e ser vitimado com novas críticas, ainda que simpáticas se algumas o podem ser, e podem, arquivo estas palavras, que é como quem afirma que as acaba aqui com a promessa de voltar a elas assim encontre necessidade ou proveito. Como tradição, impeço-me de sair sem antes dizer o que escreverei na próxima semana: hoje não digo! Esqueceu-me de me chegar a vontade! É maldade minha... Ora, comigo ninguém se aborrece. Prometo apenas que para a próxima semana, nessa sim, escreverei algo curto!

Cumprimentos!

domingo, novembro 9

Música: Fado revisteiro, contra a americanização da música!

Meus caros, há duas semanas havia considerado o facto do jazz não ter uma expressão significativa em Portugal...

Ora então que descobri na passada semana que não foi (apenas!) o isolamento típico de Portugal em relação ás tendências europeias e americanas que causou tal défice de música americana em Portugal na primeira metade do século.

Tal facto deve-se à luta levada a cabo pela própria massa artística da época contra os ritmos que, após a Grande Guerra, invadiram o mundo.

O fado, em especial o de revista, esmagava assim ritmos como o jazz, os blues, o charleston e o fox-trot, impedindo-os de ganhar expressão. A extravagante música da América era espezinhada pelo cantar do povo português (veja-se a figura ao lado...)!

Uma das protagonistas dessa "marcha" pelo manter do fado foi a actriz Adelina Fernandes, em revistas como "O Burro em Pé" (ver cartaz abaixo) e "Fado Corrido".

A segunda revista mencionada expressa, de um modo óbvio, este espírito descrito. Vejamos então os versos de um dos temas dessa revista, e que algum sentido de defesa do que é nacional se apodere de nós, ao lê-los:


Vinde todas p'ró meu lado

Combater a rev'lução

Cordas que gemeis o fado,

Cordas do meu coração.
Não deixeis que o jazz-band,

Essa máquina infernal,

Vença e guitarra em que se expande

Ai!, todo o amor de Portugal!


sábado, novembro 8

Cinema: Um, Dois, Três... Acção!


A sua história

O Costa do Castelo é um filme português realizado por Arthur Duarte, em 1943. Caracteriza-se pela presença de actores como António Silva, Milú e Hermínia Silva. O tema abordado neste filme está também um pouco retratado noutros filmes do realizador como por exemplo no filme Leão da Estrela. O Costa do Castelo fala de amor. De reencontros, de paixões aparentemente perdidas mas que vivem mais perto do que imaginado. É um filme que ainda hoje transmite nostalgia e que nas personagens vemos um pouco de nós.

O seu realizador

Arthur Duarte, nascido a 17 de Outubro de 1895 e falecido a 22 de Agosto de 1982, teve o seu maior êxito com filmes como O Costa do Castelo. Começou como actor, mas o seu gosto pela criação e realização de filmes aproximou da carreira de cineasta. Foram os seus filmes cómicos, que deram à sua carreira força e prestigio. Entre eles, os filmes de renome como o Leão da Estrela, A Menina da Rádio e O Noivo das Caldas, conhecidos pelo público.


A sua protagonista


A protagonista deste filme é Milú (seu verdadeiro nome Maria de Lurdes de Almeida Lemos), que interpretava o papel de Luisinha, uma rapariga pobre que se viria a casa com um rapaz de boas famílias. Neste filme, Milú transparece a sua incomparável beleza, notório em todos os filmes privilegiados pela sua presença, como também o encanto da sua voz na canção “A Minha Casinha”. Sim, esta canção não é um original do conhecido grupo Xutos e Pontapés. A sua versão muito mais roqueira que hoje conhecemos é uma homenagem, feita pelo grupo musical à grande vedeta do cinema português. Milú nasceu a 24 de Abril de 1926 e faleceu a 5 de Novembro de 2008. Mas o seu talento, tanto para a arte da representação como musical, irá permanecer para sempre nas nossas memórias e eternamente gravado nos filmes marcados pela sua presença em cena.