quarta-feira, novembro 26

Pintura: Cartoon

Na semana passada falei-vos de uma das maiores personalidades da banda desenhada, para demonstrar as várias facetas da pintura. É por isso que esta semana decidi mostrar também um tipo de pintura diferente, neste caso os cartoons. Este tipo de crítica caricaturada é algo a que estamos muito habituados hoje me dia, estas podem ser vistas em jornais, revistas e exposições.
A personalidade que vos apresento nasceu aqui muito perto, em Vila Franca de Xira a 12 de Abril de 1953. Trata-se de António Moreira Antunes.

Breve Biografia:
  • A sua carreira inicia-se em Março de 1974 quando executa um desenho que viria a ser uma alegoria à revolução de Abril.
  • Em Dezembro do mesmo ano insere-se no Expresso após já ter passado por outros jornais como o Diário de Notícias, O Jornal, A Vida Mundial e A Capital.

  • Em 1975, numa edição do Expresso, inicia uma banda desenhada intitulada de Kafarnaum.

  • Em 1983 é lhe atribuído O Grande Prémio no XX Salão Internacional de cartoon em Montreal.

  • Os seus trabalhos passam a ser divulgados no catálogo Views of the World da agência internacional Cartoonists & Writers Syndicate.

  • Nos anos 80 faz várias caricaturas ao governo, nelas está incluída uma ao então primeiro-ministro Mário Soares, e edita o seu primeiro Álbum de Caras e, mais tarde, o Álbum de Caras II.

  • É já nos anos 90, em 1993, que executa o cartoon mais polémico da sua carreira: o Preservativo Papal. No mesmo ano são assinalados os seus 20 de carreira com uma edição especial do Expresso que consiste nos seus 20 melhores trabalhos.





segunda-feira, novembro 24

Literatura: Carta da Infância, por Carlos de Oliveira

Passo, pela data que hoje se percebe e pelas horas que no pulso de tantos se anuncia, a presentear o meu público com um poema neo-realista português que me fascinou assim me debrucei na sua contemplação, ao início ligeira, mas gradualmente adquirindo, bem mais do que compreensão, uma certa dose de afecto. É o seu nome "Carta da Infância", pela mão de Carlos Oliveira (1921-1981).

Amigo Luar:
Estou fechado no quarto escuro
e tenho chorado muito.
Quando choro lá fora
ainda posso ver as lágrimas caírem da palma das
minhas mãos e brincar com elas no orvalho
nas flores pela manhã.
Mas aqui é tudo por demais escuro
e eu nem sequer tenho duas estrelas nos meus olhos.
Lembro-me das noites em que me fazem deitar tão
cedo e te ouço bater, chamar e bater, na fresta
da minha janela.
Pelo muito que te tenho perdido enquanto durmo
vem agora,
no bico dos pés
para que ele te não sintam lá dentro,
brincar comigo aos presos no segredo
quando se abre a porta de ferro e a luz diz:
bons dias, amigo.

Entre alguns pontos interessantes do texto, saliento:
- estrutura circular, entrevista pela palavra inicial que coincide com a palavra com que o poema termina;
- dedicação do poema ao Luar, guardador da nossa infância;
- recordações dos pequenos momentos que procuram ser a essência do bom do passado, como as brincadeiras na rua ou a luz;
- liberdade textual, sem regras métricas ou rimáticas de qualquer tipo, permitindo um aprofundamento da ternura ou paz que o tema parece exigir.

Desde que me confronto de certa forma e espécie com ideias quase revolucionárias nesta cabeça, que me veio a vontade de vos apresentar não só poemas e pequenos textos, mas mesmo partes de romances neo-realistas, no seio do intuito de esclarecer, expondo produto e conteúdo, acerca do movimento que estou a estudar convosco. Assim sendo, dedicarei porções desta semana nas estantes de uma biblioteca a decidir de qual romance escolherei para dele transcrever as páginas iniciais e colocá-las neste espaço. Poderá surgir em alguém a posterior vontade de prosseguir com a leitura, procurando um original integral. Veremos como seguirá este projecto!

Música: O Homem que fez o Fado ser cantado de pé

Antes da mini-biografia de Alfredo Marceneiro com que vos presentearei na próxima semana, dou-vos a conhecer, caros leitores, um dos factos que mais me surpreendeu ao pesquisar sobre esta lenda do Fado.

Sim. Já adivinharam através do título. É o facto de ter sido Alfredo Marceneiro o responsável pelo fadista começar a cantar de pé.

“Uau!” exclamei eu. “Ah, isso é treta.” afirmam convictamente alguns cépticos. Não os censuro. Também eu pensava que o Fado havia sempre sido cantado de pé. Ignorância minha, ou de todos, o facto é que afinal o Fado era cantado sentado…mas queiram saber a história do início.

***

Estávamos no ano de 1921 e os primeiros empresários da produtora de cinema Chiado Terrasse convidam Marceneiro para cantar nos intervalos das exibições cinematográficas, de modo a cativar mais público aos cinemas, que ainda não despertava o interesse das massas.

Estando Alfredo Marceneiro no auge da sua carreira, atrai público aos cinemas. As produtoras lucravam, os fadistas aproximavam-se do grande público (uma vez que, ao que parece, a ideia generalizada era que os fadistas eram “indivíduos de mau porte”…).

Foi numa destas actuações na Chiado Terrasse que Alfredo Marceneiro tem um dos seus repentes de criatividade e levanta-se para cantar Fado

“Todos os fadistas cantavam sentados e os espectadores mais distantes tinham a tendência de se levantarem afim de poderem ver quem estava a actuar. Isto provocava um certo burburinho que prejudicava as actuações e, com a atitude de Alfredo Marceneiro, o Fado ganhou outro respeito. A partir desse dia, os tocadores e os fadistas passaram a ter um lugar de destaque nas salas onde actuavam e o Fado começou a ser cantado em pé.”

***

Ora aí está! Velhos do Restelo, descrentes, ou simplesmente desconhecedores do facto…rendam-se ás evidências. As fontes são fidedignas. Alfredo Marceneiro iniciou o Fado cantado de pé.

sábado, novembro 22

Cinema: O que precisas para realizares um filme!

Hoje, irei contar-vos os segredos da realização de um filme, mas chiu não se conta a ninguém!

Podemos começar pelo guião.

É importante criarmos um guião que seja criativo e cativante para o público. É essencial que as pessoas se identifiquem com o assunto que abordes no filme para que suscite a sua curiosidade, tal como aconteceu com os primeiros documentários portugueses.

Agora como filmar!

No inicio da história do cinema, os cineastas utilizavam o cinematógrafo que foi melhorado pelos irmãos Lumière, utilizado também pelos primeiros realizadores portugueses e requisitado por produtoras portuguesas. Hoje não precisas de procurar um cinematógrafo, podes apenas pegar na tua câmara de filmar, ou algo com o mesmo fim, e filma o que te aparecer à frente dos olhos ou então o que simplesmente achares belo para ser filmado.

Onde armazenar o nosso filme?

Poderíamos utilizar uma bobine, como foi utilizado por muitos realizadores do inicio do século XX e onde ainda estão guardados alguns filmes portugueses. Mas acho que teríamos alguma dificuldade em encontrar esse material e até mesmo reproduzir o seu conteúdo. Hoje podemos recorrer aos DVD’s. Um suporte digital fácil de transportar e com o qual todos sabemos trabalhar.



Precisamos de marcar cada cena filmada!

Ainda hoje é utilizada a claquete. Podes fazê-la tu mesmo ou comprar alguma que encontres. A claquete tem como função identificar cada cena gravada, para que depois a ligação de todas as cenas gravadas seja facilitada. Por isso, pega na tua claquete, dá-lhe o teu toque pessoal e identifica cada cena que gravares.

Para finalizar o meu filme…


Finalizando as gravações, as montagens e depois do teu toque pessoal, instala-te na cadeira de realizador, pega no teu megafone, grita “Acção” e prepara te para apreciares a tua realização depois da contagem decrescente.

quarta-feira, novembro 19

Pintura: Banda Desenhada, uma revolução na pintura

A pintura, principalmente no século XX, não se exprime só através de quadros. Esta também se ilustra em panfletos, propaganda, caricaturas (o grupo dos Humoristas teve um importante papel no inicio do século) e banda desenhada.
É por isso que esta semana decidi apresentar-vos outro tipo de pintor, neste caso, um ilustrador de banda desenhada portuguesa de grande renome: Eduardo Teixeira Coelho.


Biografia:

· Nasce em 1919 na angra do heroísmo e falece em 2005 em Florença.

· O seu primeiro trabalho foi publicado em 1936 no Sempre fixe nº 517.

· Entre 1941 e 1944 faz vários trabalhos de ilustração em revistas e novelas e inicia a sua participação n’O Mosquito.

· De 1946 a 1953 publica alguns desenhos em vários jornais, como é exemplo, O Século e o Diário de Notícias e revistas. Também ilustra livros para a Biblioteca dos Rapazes, Biblioteca das Raparigas, etc.

· Também trabalhou nos bastidores do mundo da representação, entre 1946 e 1949, compondo cenários para alguns filmes e idealizando personagens, figurinos, maquetas e letragens para um cortejo.

· Em 1952 expõe no Salão Nobre, num exposição de histórias de banda desenha e ilustração infantil.

· Já em 1954 parte para o estrangeiro passando primeiro por Espanha e depois por França.

· Em França cria histórias para o Pimpolin, cria Biorn le Viking, Cartouche, les Orgues du diable, entre outras histórias de Banda Desenhada.

· Em 1973 é galardoado no Festival Internacional de BD de Lucca com o prémio de Melhor Desenhador Estrangeiro.

· Da década de 80 até à sua morte é condecorado com outros prémios e homenagens como, o troféu O Mosquito Especial, do Clube Português de Banda Desenhada e o Troféu de Honra no
Festival Internacional da BD na Amadora.