segunda-feira, dezembro 1

Arte Popular: O jogo da malha

O jogo da malha é o mais jogado e falado pelas pessoas de mais idade. Este jogo consiste em derrubar o pino ou colocar a malha mais perto do pino onde se encontra a outra equipa. Uma breve explicação:

Material:

Quatro malhas de madeira, ferro ou pedra (duas para cada equipa); dois pinos (paus redondos que se equilibrem na vertical);

Jogadores:

Duas equipas de dois elementos cada;

Desenvolvimento:

Num terreno liso e plano, são colocados os pinos na mesma direcção, com cerca de 15/18 metros entre eles. Cada equipa encontra-se atrás de um pino. Joga primeiro um elemento de uma equipa e depois um da outra, tendo como objectivo derrubar os pinos ou colocá-lo junto do pino da equipa adversária, lançando a malha com a mão;

Pontuação:

6 pontos para cada derrube, 3 pontos para a malha que fique mais perto do pino. A primeira equipa a chegar aos 30 pontos ganha. Uma part
ida pode ser composta por três jogos mínimo, uma equipa para ganhar tem de ganhar dois.
Este artigo deveria ter sido colocado no dia 28 de Novembro (sexta-feira). Por falta de oportunidade, não consegui colocá-lo. Com as minhas sinceras desculpas.

Literatura: Olhos de Água I

Na semana que acaba de começar, e perdoem-me com a vossa graça os opostos que emprego, e naquela que a esta se seguirá transcreverei para este nosso espaço o primeiro capítulo de uma obra de grande qualidade que escolhi entre várias. Tal obra que complementa o rol de artigos que tenho apresentado é "Olhos de Água", do autor Alves Redol. Como subtítulo deste livro surge "Pequeno romance de uma vila sem história". O primeiro capítulo apresenta-nos o aspecto geral da vila - o espaço da acção, pelo que é predominantemente descritivo, se bem que de um modo que foge ao regular. Notem a linguagem do neo-realismo português.

Se não fosse o rio, e certa gente que lá mora, a vila seria uma terreola sonolenta e bronca, perdida no nevoeiro duma vulgaridade sem história. Nasceu para ali, entre a chã e a montanha, num improviso sem génio nem beleza, e ainda à mercê da caturrice de vereações camarárias, que nela fizeram terreiro de birras comezinhas: se vinha uma que a puxava para um lado, entendendo que o burgo devia ganhar altura para lavar os pulmões, chegava outra que a fazia encafuar na parte baixa, junto aos lodos do rio, talvez com mágoa de a não poder encarcerar numa masmorra.

E a vila ficou desengonçada, aos deus-dará da sorte, como um fantoche ao abandono. De olhos postos no chão, ou de costas voltadas para o Tejo, dessorou-se por ruas vesgas e travessas sem destino, só porque os vereadores, ou os seus apaniguados, tinham quintal para hortos e pomares, e não era lícito prejudicar-lhes o afecto em proveito das passadeiras colectivas.

Para que o progresso não fosse palavra à margem do dicionário do burgo, tentaram abrir-lhe, certo dia, uma artéria mais larga, à custa do poisio de um presidente de junta demitido por questões políticas. E a rua ganhou proporções, com a sua faixa um nadinha enfartada e dois passeios, onde cabiam três pessoas, de ombro com ombro, em cada um.

Ufano daquela súbita abastança, o gentio acorreu a admirar as obras, discutiu-as com calor e deu-se a comparações com outras vilas ribeirinhas, acabando por impor uma comissão de festas, que organizou um arraial no largo com música e foguetes de lágrimas. Mas como o dono do poisio se não deu por vencido e jogou os seus votos na altura própria, acendeu-se-lhe candeia junto do governador civil, o qual, apressado em estabelecer tréguas, chamou à pedra o presidente da edilidade concelhia. E a rua mirrou-se, fez duas fintas apertadas, como se escapasse às investidas de um toiro espicaçado, e lá seguiu, com ripanços e ademanes, para se extinguir, num fio de azeite, no largo da praça.

E foi pena, porque a aristocracia rural ficou prejudicada no seu palco para exibição de cavalos e carruagens, bem como as senhoras, que têm de se debruçar em demasia para verem a carreira empolgante das esperas de toiros.

Daí lhe ter vindo o nome de Rua Arrependida, com que ainda hoje a conhecemos, apesar de lhe oferecerem o título pomposo de um capitão das Índias, que ninguém entendeu decorar, a não ser os carteiros, por dever de ofício.

domingo, novembro 30

Música: Mini-biografia do Rei do Fado

Estamos no dia 25 de Fevereiro de 1891. Poderia apenas um dia qualquer. Porém foi neste dia que nasceu uma das maiores lendas do Fado de sempre.

Alfredo Marceneiro foi influenciado pela sua mãe em termos musicais, se bem que o seu pai e o seu avô (que tocava guitarra e cantava fados de improviso) também exerceram a sua influência.

Marceneiro seguia atentamente as cegadas, tomando assim mais contacto com o Fado, e cultivando o seu gosto pela representação.

“É num baile popular que se inicia a cantar o fado, começando logo a criar nome desde aí. Graças às suas capacidades passa a ser solicitado para cantar em festas de caridade, muito usuais na época como forma de solidariedade para com os mais desafortunados. Aos dezassete anos, consegue almejar o seu grande sonho: sair numa cegada.”

Foi na cegada “Luz e Sapiência” que Alfredo granjeia maior glória. Tanta que até ao fim da sua vida conseguia recitar de cor o seu papel nesta cegada. Uma das curiosidades acerca destas cegadas tem que ver com o facto de Marceneiro se…travestir.

Os anos 20 e 30 ricos em Fado de Marceneiro. Esses anos de contributo para o fado granjearam a Marceneiro a seguinte homenagem gravada numa placa:

Tem na garganta um não sei quê de estranho,
Que perturba e nos faz cismar:
É dor? É medo? São visões d'antanho?
Amor? Ciúme? É choro? É gargalhar?

É voz do fado - dizem - e eu convenho
Que ande na sua voz a voz do mar,
Onde Portugal se fez tamanho
E aprendeu a cantar e a soluçar.

O Marceneiro tem aquela atroz
Sonância d'onda infrene que em rochedo
Fareja e morde, impiedosa e algoz.

É voz roufenha que nos mete medo,
Mas que atrai, que seduz... É bem a voz
Do fado rigoroso, a voz do Alfredo.
********

Profissionaliza-se no fado nos anos 40, sendo o Bairro Alto e Alfama os seus principais “reinos”, e até à sua morte e para além desta, Alfredo manteve-se e manter-se-á sempre o rei do Fado e eterno dono de Lisboa.

Créditos de imagens: Família de Alfredo Marceneiro

quinta-feira, novembro 27

Arte Popular: o jogo do pião.

Os jogos tradicionais portugueses são bastante interessantes e de fácil prática. O jogo do pião praticado especialmente pelos rapazes durante a primeira metade do século vinte volta a surgir sobretudo nos pátios da escola.
Este jogo pratica-se da seguinte maneira:

Disposição inicial: pode tratar-se de uma competição de tempo fixado ou de um encontro em que o pião deve tocar nos outros piões com o objectivo de os projectar para fora de um círculo de ante-mão desenhada no chão e manter-se em movimento giratório.
Desenvolvimento: o movimento resulta de um cordel enrolado é volta de um pião. O cordel segura-se com a mão de uma das extremidades, na qual desenrolando-se o faz girar.

Participantes: pode ser jogado sozinho ou com outros jogadores.

Material: pião e cordel.

Peço as minhas inteiras e sinceras desculpas por só hoje colocar o meu artigo no blog. Na anterior sexta-feira (dia vinte e um de Novembro), deparei-me com alguns problemas de saúde de familiares. Apenas hoje tive possibilidade de o colocar.

quarta-feira, novembro 26

Pintura: Cartoon

Na semana passada falei-vos de uma das maiores personalidades da banda desenhada, para demonstrar as várias facetas da pintura. É por isso que esta semana decidi mostrar também um tipo de pintura diferente, neste caso os cartoons. Este tipo de crítica caricaturada é algo a que estamos muito habituados hoje me dia, estas podem ser vistas em jornais, revistas e exposições.
A personalidade que vos apresento nasceu aqui muito perto, em Vila Franca de Xira a 12 de Abril de 1953. Trata-se de António Moreira Antunes.

Breve Biografia:
  • A sua carreira inicia-se em Março de 1974 quando executa um desenho que viria a ser uma alegoria à revolução de Abril.
  • Em Dezembro do mesmo ano insere-se no Expresso após já ter passado por outros jornais como o Diário de Notícias, O Jornal, A Vida Mundial e A Capital.

  • Em 1975, numa edição do Expresso, inicia uma banda desenhada intitulada de Kafarnaum.

  • Em 1983 é lhe atribuído O Grande Prémio no XX Salão Internacional de cartoon em Montreal.

  • Os seus trabalhos passam a ser divulgados no catálogo Views of the World da agência internacional Cartoonists & Writers Syndicate.

  • Nos anos 80 faz várias caricaturas ao governo, nelas está incluída uma ao então primeiro-ministro Mário Soares, e edita o seu primeiro Álbum de Caras e, mais tarde, o Álbum de Caras II.

  • É já nos anos 90, em 1993, que executa o cartoon mais polémico da sua carreira: o Preservativo Papal. No mesmo ano são assinalados os seus 20 de carreira com uma edição especial do Expresso que consiste nos seus 20 melhores trabalhos.