Antes de mais começo este artigo por vos justificar o porquê de nas últimas duas semanas não ter publicado nenhum artigo no blog às quartas-feiras como é habitual. A razão é muito simples, infelizmente as festividades desta época incidiram ambas à quarta-feira e à quinta-feira fazendo com que, devido aos preparativos festivos e às reuniões de família, não fosse possível elaborar os artigos e publicá-los por falta de tempo e também um pouco por esquecimento.
Esta semana encerro em definitivo o movimento que tenho vindo a abordar, o Modernismo Português.
Para poder elaborar uma melhor conclusão deste movimento visitei, no passado dia 30 de Dezembro, o Centro de Arte Moderna na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
A exposição permanente do Centro de Arte Moderna é uma exposição a não perder por todos os amantes de pintura e até por aqueles que não se interessam por esta arte mas que sintam curiosidade em relação às fantásticas obras deixadas pelos pintores portugueses do século XX. É na galeria do piso 01 que se encontram as relíquias do Modernismo Português. Desde os espantosos quadros de Amadeu de Souza-Cardoso, passando pelo famoso retrato de Fernando Pessoa elaborado por Almada Negreiros e pelos quadros que retratam o surrealismo no nosso país, esta exposição é o culminar de tudo aquilo que vos falei nos meus artigos.
Ver todas aquelas obras ao vivo faz-nos entender melhor a época, os autores e entrar na sensação de vanguarda e de ruptura com a sociedade que estes pintores pretendiam através das suas obras.
Aconselho vivamente a visitarem não só esta exposição como as outras exposições da Fundação Calouste Gulbenkian e também o restante espaço constituído por bonitos e calmos jardins e uns habitantes muito simpáticos.
Encerrando assim as primeiras décadas do século XX, continuarei os meus artigos com os movimentos artísticos seguintes. Após alguma pesquisa deparei-me com o facto de que, a nível da pintura, torna-se mais difícil encontrar informação sobre a segunda metade do século XX. Desta forma os meus artigos continuaram a ser maioritariamente biografias que ilustraram pintores do neo-realismo, neo-impressionismo e da pintura intervencionista. Espero assim conseguir-vos mostrar a grande variedade de movimentos e artistas que surgem nos últimos 50 anos do século XX.
A partir dos anos 70, a senhora da voz continuou a dar espectáculos um pouco por todo o mundo, edita álbums vários (entre eles "Maldição" em 1973, e "Lágrima" em 1983), trabalha com o Frei Hermano da Câmara e com Carlos Paião.
Nos anos 80 começa a lançar os seus primeiros "Melhor de Amália", e na medida em que uma compilação em CD de uma carreira, é sinónimo de sucesso, nos anos 80 nenhum único ser duvidava de que Amália era o fenómeno, e provavelmente, ninguém teria o impacto que ela teve. A prová-lo estão as vendas do duplo álbum "O Melhor de Amália - Estranha Forma de Vida", superiores a 100 mil exemplares no ano de 1985. Ainda nesse ano dá o seu primeiro grande concerto a solo em solo português, no Coliseu dos Recreios.
As homenagens multiplicam-se, sendo que em 1985 o dia 6 de Outubro torna-se, em Toronto (Canadá), o Dia Oficial de Amália Rodrigues; e em 1989 Amália é recebida em audiência privada pelo papa João Paulo II.
Os anos 90 proliferam em CD's de Amália, devido ao desuso do vinil e do LP. E não obstante os 54 anos de carreira, grava, em 1993, um disco com o napolitano Roberto Murolo.
EM 1996 a desgraça chega, e a doença cala a voz de Amália. No ano seguinte, a EMI-VC edita o álbum "Segredo", galardoado com um disco de platina, por vendas superiores a 40 mil cópias. Este viria a ser a derradeira obra da Fadista de Portugal. Em 1999 termina um ciclo, uma vida, uma obra....
No dia 6 de Outubro de 1999 (curiosamente o Dia Oficial de Amália Rodrigues em Toronto), a mulher que encantou multidões de lusitanos, deu esperança aos homens que iam para a guerra, conquistou o mundo, apaixonava os ouvidos, e tocava nas almas...
Amália Rodrigues partiu.
Mas como se pode dizer que Amália partiu, se ela ficará sempre? Como se pode conjugar o verbo morrer na mesma frase em que o seu nome é mencionado, se a eternidade da sua voz é inquestionável?
Não. Amália nunca morreu. Nunca morrerá. Pelo menos enquanto os corações com alma portuguesa baterem. E baterão até ao fim dos tempos.
As imagens apresentadas neste artigo são pinturas de Henrique Robó, Júlio Quaresma e Pedro Leitão (de cima para baixo)
Recomendo vivamente que oiçam Amália. Sejam felizes!
Dentro de cada homem, alto ou baixo ou moreno ou loiro, nada interessam meros detalhes de aparência física mais ou menos notória, residem princípios específicos e demarcados. Arriscaria eu a dizer, ou até a proferir, se a qualidade me pode ser concedida com justa causa, que a grandeza do homem, qualquer ele, desenha-se mais com os contornos que lhe dão a convicção nos seus princípios do que com a importância ética dos tais. Não generalizo, e neste caso que se apresenta o passado e presente movem consigo questões menos óbvias, que se deparam com pensamentos políticos, que divergem de quem para quem.
Eu venho falar-vos de Aquilino Ribeiro, membro da organização intitulada por Carbonária, que conspirou contra a monarquia portuguesa e originou o assassinato de um rei dos mais inteligentes que houve entre nós, motivada pela razão isolada de ser rei e isso significar sucessor de outros tantos que tais e defender a monarquia por ser o seu topo hierárquico. Opiniões aparte, ou ainda parecerei um monárquico convicto, eu, que olho tudo e nada com toda a desconfiança que encontro, Aquilino Gomes Ribeiro foi dos autores portugueses mais bem sucedidos e de maior qualidade do século XX. Nasceu no século XIX, quando decorria o ano de 1885, mas pela natureza jovem de quem nasce, apenas lhe chegou a maturidade e a carreira quando obteve uma maior idade do que a de nascença, iniciando a sua carreira literária no início do século XX (e portanto incluo-o no leque de escritores que importam recordar segundo o nosso projecto). Enquanto muitos escritores nascem no meio mais propício à criação textual, ou seja, na capital de Portugal ou em Coimbra, sempre capital das letras e da cultura, este homem viu a luz da vida na província, junto a Sernancelhe. Todos temos o conhecimento, alguns de causa, que se acha Portugal entre os países católicos, e na época a que remonta Aquilino Ribeiro, essa característica era essencial no perfil do nosso país. Mais do que nas cidades, a província era um local de religiosidade muito elevada, onde o governador das aldeias, por assim dizer, era ainda o seu pároco, pai de todos (apenas espiritual, pois senão cuidado com o pecado). Estas origens justificam a vontade da família, e a início do próprio futuro escritor, em tornar Aquilino Ribeiro um padre. Frequentou seminários em diversos lugares, como Lamego, Viseu e Beja, mas por fim desistiu, aparentemente por ausência de vocação. Perdoem-me, mas talvez Deus não quisesse como seu servidor um homem que conspiraria contra el-rei: lembrem-se que é o rei o escolhido do superior Deus para governar o seu país.
Uma vez longe dos projectos religiosos que tentou cumprir, Aquilino dirigiu-se a Lisboa, a fim de procurar sustento para a sua vida. Na cidade relacionou-se com todas as opiniões políticas que borbulhavam na altura, em particular a agitação republicana que conspirava pela queda da monarquia. Aquilino Ribeiro envolveu-se na ideologia republicana e converteu-se num membro activo da Carbonária. Como defensor dos objectivos republicanos, estreou-se na escrita, em jornais polémicos e interventivos para os quais escrevia artigos de propaganda. Pelas suas convicções, foi forçado a abandonar o país para sua própria segurança, refugiando-se em Paris, largamente republicana havia imenso tempo. Em 1914, porém, motivado pelo deflagrar da primeira Guerra Mundial, moveu-se de regresso a Lisboa. Foi, com efeito, após esta data que escreveu as suas principais obras, que, por tantas influências distintas que captou, não se consegue ainda hoje inseri-las em qualquer movimento artístico. Aquilino Ribeiro era, no início do século XX, um escritor do modo que o são hoje em dia e depois da revolução de Abril: escrevia conforme queria, mais para si e para o seu público do que segunda as tendências dos seus colegas. Muitos são os que defendem que a sua obra romanesca sofreu das influências do mestre romântico Camilo Castelo Branco, outros que o seu discurso remete as memórias aos descritos por Eça de Queirós. O que é certo para todos os críticos e entendidos na matéria é que Aquilino Ribeiro demonstrou na sua escrita as suas origens provincianas, através do vocabulário e expressões utilizadas brilhantemente. Esta tornou-se uma das suas mais abordadas características, mantidas em pleno e com igual qualidade em cada uma das suas obras, apesar de todas diferentes entre si.
Aproveito o ponto em que me deixei no texto para guiar o prezado leitor às citações que deixarei nesta parte do artigo. Por interesse próprio, levei-me por meu pé à biblioteca da minha área de residência, que é a que todos sabem, e trouxe ao meu doce lar um leve, e falo verdade que é leve, exemplar da obra de Aquilino Ribeiro que o mesmo intitulou de Quando os Lobos Uivam. Dessa obra extraí expressões que esclareçam o leitor do que acabei de afirmar relativamente à sua linguagem.
"Mas homem com mocotó."
"Atropelava-se a gente no patim"
"Bem sabia ele que não há, para ganhar a simpatia do serrano e fazer-lhe entreabrir a beiceira no franco sorriso fraterno ou exalçá-lo à simpatia e admiração, como uma saúde à boca das pipas."
"E, a esconder a vergonha, abraçava-o tão abraçado, que toda a sua cabeça se lhe amassagou contra o peito mamaçudo"
"Tudo na mesma, a velha aldraba, puída de tanto se lhe pegar, o espelho da fechadura escantilhado a uma banda, a couceira de lenho fibroso e terso, não chamassem ao castanho os ossos de Portugal."
"(...) as pernas escanchadas."
"Temia-se do génio dele e lá se pôs a esfregar fósforos, um atrás do outro, na caixa que tinha a lixa esfarpada até que conseguiu acender a luz."
Para terminar a curta, penso, abordagem de Aquilino Ribeiro com que pretendo agraciar-vos o bastante, permitam-me nova citação, desta vez de Vitorino Nemésio, um poeta e romancista açoriano nascido em 1901, que apreciava largamente o legado literário de Aquilino.
"A força plástica e musical do mundo aquiliniano é admirável. A serra portuguesa, a aldeia patriarcal, o rebanho transumante, vivem nos seus livros como a vida flamenga e holandesa nos quadros dos grandes pintores dos Países Baixos."
Como referi há instantes, é um assunto complicado procurar inserir a obra de Aquilino Ribeiro num movimento artístico da época, nomeadamente no modernismo, que vigorou na época em que este autor se revelou. Relembro aos que me seguem que presentemente estou a apresentar modos de escrita e escritores que resistiram ao modernismo em altura em que a arte moderna foi vigente: abordei Júlio Dantas, opositor activo do modernismo, e agora Aquilino Ribeiro, um escritor brando a nível de rivalidades literárias, mas acérrimo defensor da revolta política. Na próxima semana, com efeito, o modernismo inundará este espaço e nele recairá a minha preocupação estética. Iniciarei por uma outra biografia, e ouso rogar perdão por teimar tanto em biografias neste espaço onde devia facultar mais ocasiões para uma maior diversidade de assuntos. Porém, creio que uma biografia é a forma indicada de iniciar o público ao escritor do qual vou falar com tamanha naturalidade, como se ele na escola se sentasse à minha beira e eu, com ele na dianteira, brincasse aos jogos que divertem as crianças. Bem, falo de Mário de Sá-Carneiro, fundador da já referida revista Orfeu, sobre quem escreverei daqui a sete curtos dias.
Se procuras filmes, informação ou documentos sobre o cinema português, o melhor lugar onde tal podes encontrar é na Cinemateca.
Esta instituição pública foi criada em 1948, na cidade de Lisboa onde ainda se encontra até hoje, após um conjunto de antigos documentos do Secretariado Nacional de Propaganda. O seu primeiro director foi Manuel Félix Ribeiro e a 28 de Setembro de 1958 teve lugar no Palácio Foz a primeira sessão de cinema pública.
Entre 1973 e 1979 a Cinemateca Nacional torna-se numa divisão do Instituto Português de Cinema, ainda com a direcção de Manuel Félix Ribeiro. Com a necessidade de mais espaço para as suas actividades, o Estado adquire, em 1979, uma moradia na rua Barata Salgueiro onde em 1980 são inauguradas as novas instalações de Cinemateca Nacional onde ainda hoje a podemos encontrar.
Em 1991, João Bénard da Costa tornar-se o novo director na Cinemateca Nacional até hoje. Entre 2001 e 2002 são realizadas obras de restauração. Neste período de remodelações, matam-se algumas saudades das antigas instalações. Foi no Palácio Foz onde decorram as actividades da Cinemateca durantes aqueles dois anos.
Após as remodelações, a Cinemateca Nacional reabre na rua Barata Salgueiro com as salas de cinema renovadas e com o espaço museográfico 39 Degraus.
Temos ao nosso dispor zonas como o Museu, com o espaço museográfico 39 Degraus dividido em três salas. A Sala dos Carvalhos, onde existe uma exposição permanente com peças cinematográficas (com livros, aparelhos e fotografias), a Sala do Cupido, onde estão expostas lanternas usadas também em espectáculos, e a última a Sala 6x2 destinada a projecções cinematográficas modernas.
Têm também 3 espaços destinados à projecção de filmes, a maior sala com 227 lugares, a sala Dr. Félix Ribeiro, outra com 47 lugares com o nome Luís de Pina e um terraço para projecções de cinema ao ar livre, durante o Verão.
Podemos recolher toda a informação obre o cinema português na sua biblioteca que dispõem uma sala de consulta e outra de leitura.
A última criação da Cinemateca foi a Cinemateca Júnior, em 2007, com sede nas antigas instalações da Cinemateca Nacional. Neste novo espaço as crianças têm acesso a ateliês, à exposição permanente interactiva sobre o pré-cinema e a visualização de filmes tanto para as crianças como para as suas famílias.
Faz parte da Cinemateca Nacional o departamento de Arquivo Nacional de Imagem em Movimento (ANIM). A função deste arquivo é recolher, restaurar, conservar, projectar, restaurar, catalogar e facultar o acesso a filmes de qualquer género ou época. Tem também como objecto recolher e tratar os dados sobre toda a produção nacional cinematográfica.
Amália, o já fenómeno, atinge o seu auge no pós 1950. E começa logo nesse ano que marca as metades do século criando uma das suas mais geniais canções, Foi Deus, onde Amália deu largas á sua voz como nunca!
No ano seguinte grava pela primeira vez em Portugal, na editora "Melodia", e continua na sua conquista pela Europa, que nem Napoleão das notas musicais.
Em 1952 parte para Nova Iorque, ficando quatro meses em cartaz na boite La vie en Rose, e recebendo até convites para actuar no palco dos palcos, a Broadway. Ainda neste ano começa a duradoura relção com a Valentim de Carvalhol, e com a discográfica inglesa EMI.
No ano seguinte torna-se na primeira portuguesa a aparecer na televisão, no programa norte-americano, Eddie Fisher Show da NBC em em 54 actua em Hollywood e entra na produção luso-francesa Amantes do Tejo, onde interpreta as famosíssimas (hoje) Canção do Mar e Barco Negro (abaixo), uma versão da canção Mãe preta, que se tornou numa das interpretações mais louváveis da rainha. Edita ainda o seu primeiro LP, nunca lançado em Portugal
Em 1955 grava no México um documentário ao lado de Edith Piaff. No mesmo, Amália interpreta Lisboa Antiga, um hino á capital portuguesa, que pode ser encontrado neste link: http://www.youtube.com/watch?v=i4rPz9C4rc4.
Conquista o Olympia de Paris, onde interpreta o êxito escrito para ela por Charles Aznavour, "Aie mourir pour toi" (http://www.youtube.com/watch?v=i4rPz9C4rc4), actuando também no México, Brasil, Bélgica...enfim...o mundo! Depois das caravelas e naus do século XVI, a voz de Amália foi a maior conquistadora portuguesa do mundo até então.
Nos finais dos anos 50 e inícios de 60, entra em filmes, lança EP's, canta e encanta em festivais, é condecorada, começando ainda a interpretar poemas de David Mourão-Ferreira, Alain Oulman, e Pedro Homem de Mello (autor de Povo que Lavas no Rio). Em 61 interpreta Estranha forma de vida, um poema seu, que reflecte o seu viver diferente, a ausência de um amor fixo na sua vida, o estar no meio de todos, mas tão só. Essa primeira actuação está registada em vídeo e pode ser encontrada em http://www.youtube.com/watch?v=f3fYCspwr9U.
Em 65, canta poemas de Luís de Camões, como por exemplo "Lianor" (http://www.youtube.com/watch?v=BO-fahCx3vU) e de outros poetas, interpretações estas envoltas em grande polémica!
No ano seguinte recebe o Prémio Pozal Domingues pelo disco "Fandangueiro" e faz parte do júri do Festival da Canção do Rio de Janeiro, escolhendo Simone de Oliveira como representante de Portugal no Festival.
1967 foi um outro grandioso ano, na medida em que em Cannes, recebe das mãos do actor Anthony Quinn, o prémio MIDEM 1965/66, destinado a premiar o artista que mais discos vende no seu país, proeza só alcançada pelos Beatles; edita três EP com gravações de folclore: Folclore 1 - Amália Canta Portugal, Malhão de Cinfães e Tirana; e inicia uma temporada no Olympia como figura central de um espectáculo denominado "Grand Gala du Music-Hall Portugais", dedicado a Portugal com um elenco português do qual fazem parte Simone de Oliveira, Duo Ouro Negro e Carlos Paredes, entre outros.
Nos anos seguintes dá actua no Canadá, Roménia, e até União Soviética; e em 1969 edita o álbum "Vou dar de beber á dor". Em 1970 actua em Itália, que se torna num dos seus destinos favoritos, e no Japão (em Osaka), onde grava um álbum ao vivo. Publica também o álbum Com que Voz, galardoado com imensos prémios, incluindo o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), com o Grand Prix du Disc da Acádemie Charles Cross (1975) e o Grand Prix de la Ville de Paris (1975).
E por agora fico-me por aqui. São vinte anos os falados, muitas glórias, grandes saudades. No próximo artigo, o último sobre Amália, veremos o que aconteceu a Amália depois de 1970, recordando as suas últimas glórias, e vendo que até as lendas envelhecem e partem (embora se saiba que nunca partirão.)