quinta-feira, abril 9

Pintura: Museu do Neo-Realismo

Já há algum tempo que eu e os restantes elementos do grupo fazíamos questão de ir visitar o Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira, tanto por ser um museu do nosso interesse e que se encontra perto, como por ser uma visita que nos ajudaria para o projecto que estamos a levar a cabo em Área de Projecto. Assim, decidi fazer este artigo baseado na visita a este museu.

No passado dia 8 de Abril o grupo “Os Fígaros” dirigiu-se a Vila Franca com o intuito de visitar o Museu do Neo-Realismo. Como visitámos este museu durante as férias, impossibilitando que todos os elementos fossem.

O museu está actualmente dividido em quatro exposições: “The return of the real 6 – Miguel Palma” uma exposição contemporânea do artista Miguel Palma, “Mário Braga – um escritor no reino circular” uma exposição biográfica do escritor Mário Braga, “Batalha de Sombras” uma colecção de fotografia portuguesa dos anos 50, e “Batalha pelo Conteúdo” uma exposição sobre o movimento neo-realista português.

Apesar de todas as exposições serem bastante interessantes, neste artigo irei focar somente a última exposição, dando um especial destaque para o neo-realismo português nas artes plásticas. A exposição “Batalha pelo Conteúdo” é a principal exposição deste museu, ocupando assim dois pisos e expondo, através de diversos documentos, o movimento neo-realista português nas várias artes: literatura, artes plásticas, música, teatro e cinema.

Durante a exposição pude entender melhor este movimento na pintura, assimilando conceitos e situações que o marcaram. Porém a exposição não possuía muito espaço e documentos relativos ao neo-realismo na pintura, pois este movimento tem maior destaque na literatura.

No início da secção dedicada às artes plásticas está exposta uma afirmação que sintetiza a pintura neo-realista e a sua importância: “Movimento cultural de expressão maioritariamente literário, o neo-realismo português teve nas artes plásticas um momento de eufórica utopia, como afirmação voluntária de uma nova geração que aí se ancorava no intuito de contribuir para a prometida mas nunca concretizada democratização do regime.Com efeito, o movimento do neo-realismo significara para uma parte significativa dos jovens artistas da terceira geração modernista não só uma mais forte e arrojada opção estética face ao modernismo academizado da segunda geração, como uma rara oportunidade de reflexão humanista que alimentaria a esperança de uma verdadeira transformação progressista da sociedade portuguesa. De Júlio Pomar a Rogério Ribeiro, ou do teor polemista do suplemento “Arte”, publicado ao longo de 1945, à divulgação de uma prática artística pluridisciplinar nas Exposições Gerais de Artes Plásticas (1946-1956), o neo-realismo visual afirma-se sobretudo na proporção das esperanças oposicionistas do imediato pós-guerra. Se com elas se projectou como espécie de vanguarda artística, logo se desvaneceu nas desilusões políticas que o final dessa década trouxera à soturnidade da vida portuguesa.”

Nesta mesma secção eram realçados os artistas que se destacaram na pintura e ilustração neo-realista, desde nomes já reconhecidos e já referidos neste blogue como Júlio Pomar e Rogério Ribeiro até outras personalidades como Álvaro Cunhal.
Em forma de conclusão, proponho desde já a visita uma vez que é um museu interessante e acessível, pois além de ser já aqui ao lado a entrada é gratuita. É uma fantástica maneira de ficar a conhecer este movimento nas diversas artes incluindo aquelas, como a pintura, de que não existe muita informação disponível.

segunda-feira, abril 6

Literatura: A fase do Existencialismo

"O mais é o tropear dos dias em que se pulverizam os sonhos que sonhámos, as palavras que dissemos e as que em resposta no-las formularam inúteis, o sobressalto que nos agitou e em que centrámos a vida toda, a beleza que julgámos revelar e não era, o suor de um esforço vão, as perguntas que perguntaram e as respostas que nem sempre responderam, o absoluto em que nos jogámos, mesmo o disséssemos relativo, e o relativo que estava no absoluto ou menos ainda, a procura repetida, o soluço baudeleriano que passa através das eras e morre aos pés da inatingível eternidade, a pequena onda inútil que outra onda negou e foi onda necessária para que o mar se cumprisse, o destino executado na humildade com que o reconhecemos, aceitámos, levámos até ao fim. O mais, em suma, e como sabemos, é silêncio..."

Este excerto que terminei de vos fornecer integra a obra Aparição do romancista português Vergílio Ferreira, de que vos falarei hoje por quase necessidade que ocorre. Este nome apresenta-se ligado à corrente existencialista, sendo o maior vulto deste movimento literário no nosso país e das suas grandes personalidades a nível europeu. Somente para contextualizar e apresentar o pretexto deste artigo, remetendo desde já para todos os seguintes, explico que o existencialismo, como opção da literatura, surgiu em França no segundo pós-guerra, onde os horrores da guerra assolaram esperanças e ceifaram vidas que não mais regressaram nem quietaram o mundo com a sua antiga existência. A presença do Homem como criador da destruição de si próprio e o confronto da sociedade com aquilo que, em pouco tempo, a pode reduzir ao monte de destroços a que condenou a matéria sólida abriram um novo caminho, bastante inovador e original, para os artistas de todas as artes, incluindo a literatura. Numa fase inicial, ou não tanto assim, assistiu-se ao florir da literatura surrealista, debruçada sobre os problemas interiores e dúvidas do íntimo pessoal. Este interesse pelas qualidades humanas e puras do próprio ser humano reage, do mesmo modo, contra o neo-realismo que esgotava, a olhos vistos, as suas capacidades criativas com a repetição dos mesmos assuntos e da procura pelas mesmas soluções. O existencialismo é somente o aprofundar da escrita surrealista e a reflexão filosófica das questões essenciais à fundamentação e legitimação da existência humana no mundo. Após a segunda guerra mundial, na literatura mundial verificou-se aquilo que em Portugal se confirmou após a Revolução do 25 de Abril: a verdadeira liberdade dos autores e criativos. A sua escolha livre e descomprometida de assuntos e métodos de escrita e de trabalho que melhorem a qualidade das suas obras, trabalhando com base no seu potencial como artista ou no público que pretende atingir. Justamente o existencialismo fez a passagem, particularmente na obra de Vergílio Ferreira, entre o neo-realismo e a literatura contemporânea: daí que se entenda a importância notável deste grande romancista que deixou o mundo no ano de 1996.

Existem no abstracto aqueles certos casamentos que sempre nos lembramos de ver consumados, e que nenhuma vaga ou vento com maior força parece conseguir abalar. E um desses casamentos é ter a humanidade sempre visto a literatura de mão dada com a filosofia, percebendo sempre os escritores tendo desejo de se afirmarem como donos da razão e filósofos influentes para a continuidade da espécie humana, enquanto aqueles que são inicialmente filósofos procuram, um dia, demonstrar a veracidade das suas teses através da ficção e da boa escrita. E se, na História da arte e da cultura, houve momentos em que a filosofia e a literatura quiseram afastar-se um pouco para divergir os temas da segunda, também surgiram momentos, como o existencialismo, em que as duas estiveram tão próximas como o mar da foz de um rio. Como um casamento, que vai oscilando, alternando situações de crise e quase ruptura e situações duradouras de estabilidade e paz conjugal.

Muitas vezes é considerado o fundador do movimento existencialista o francês Jean-Paul Sartre, conhecido pelo seu ateísmo e pela reacção a tudo o que é relativo a religião. Este mesmo homem das letras e de ideias fecundas escreveu um dia a sua definição precisa de Existencialismo, seguindo-lhe a justificação "A existência precede e governa a essência". Esta citação permite-me abordar mais a definição desta corrente literária: ela defende que antes de sermos aquilo que hoje somos, nascemos todos com características quase plenamente idênticas, e que são as vivências e os nossos actos que nortearão o nosso futuro, tornando-nos aquilo que viremos a ser. O existencialismo fundamenta-se na negação de qualquer espécie de pré-determinação do indivíduo, sendo este responsável por tudo o que lhe ocorre e pelas implicações desse fenómeno. O Homem torna-se "condenado à sua liberdade", às suas variadas possibilidades de escolha que tornam os seus caminhos diários de um grande risco para a sua integridade e correcção. Só a vivência e as atitudes tomadas poderão, com o tempo devido, dar origem à sabedoria - capacidade que favorece o sucesso nas tarefas que nos são propostas pela vida. A vida, a liberdade de acção, a existência ou não de uma divindade que nos observa do alto, a constante solidão do ser humano ou a moral são alguns dos temas mais comuns nas documentações dos escritores e filósofos existencialistas. O individualismo que surge, à primeira vista, como uma certeza na leitura dos existencialistas, não é verdadeiro, como se pode entender à medida que lemos: na verdade, os protagonistas partem do indivíduo para formular os problemas e discuti-los de si para si; porém que a reflexão se apresenta comum a toda a Humanidade, nascendo num sujeito e vindo a ser elevada aos demais humanos.

Vergílio Ferreira (visível na segunda e terceira imagens deste artigo) protagonizou este casamento entre a filosofia e a literatura no nosso país. Diria mesmo que foi o padre que realizou o dito matrimónio, e é com alguma graciosidade que o escrevo, com o saber que escapa à maioria das pessoas. Contudo, passo a explicar: é que, de facto, Vergílio Ferreira frequentou o Seminário, completando nele seis anos da sua educação. Acabaria por se tornar professor, leccionando português e latim em escolas por todo o país, e também escritor: área na qual se distinguiu. Nasceu em 1916, no concelho de Gouveia, na Serra da Estrela. Em Melo, onde hoje se encontra sepultado, foi deixado aos cuidados de umas tias maternas, juntamente com os seus irmãos, aquando da emigração dos seus pais para o outro lado do Atlântico. A infância e adolescência vividas na Serra condicionaram sempre a produção literária do escritor. Ele mesmo afirmou, certa vez, que "um autor fixa um tema. Mas esse tema, revelando, como revela, um interesse, revela sobretudo que foi só em torno dele que o artista pôde realizar-se como tal." Assim sendo, um escritor sempre reproduz nas suas obras as vivências que testemunhou. Não admira, por isso, aos conhecedores do seu percurso, que muitos dos seus romances retratem temas como o ser professor, a neve, a educação nos seminários ou a solidão, incluindo a mais amarga forma de solidão, a que dá o nome de "silêncio" - o abandono da sociedade por parte da entidade divina; ausência de Deus.

A sua obra literária compreende-se entre dois períodos, efectuando uma transição na obra que o sugere - Mudança: o neo-realismo, em que se inicia com o romance O Caminho Fica Longe, e o existencialismo, cuja obra-prima é a já citada Aparição. Durante as suas extensas e frutíferas divagações, o autor apoia-se na visão como instrumento de consciência e árvore de sabedoria. Em 1992 foi distinguido com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário atribuído a escritores de Língua Portuguesa.

domingo, abril 5

Música: Nomes da Intervenção

Inicio o artigo com um vídeo em que Ary dos Santos, figura da poesia já abordada pelo meu colega da literatura, declama um poema seu, poema esse que demonstra todo o sentimento e toda a mensagem que a música da intervenção pretendia passar.
Agora sim, posso continuar. Esta semana o meu artigo será mais uma mostra de vídeos e músicas do pré e pós 25 de Abril, do que um texto escrito, uma vez que acredito que as músicas e letras falem por si. Além de que o meu artigo sobre Zeca Afonso e a música de intervenção já explica um pouco este assunto.
Assim, poderão ver, abaixo, uma listagem de cantores de intervenção muito esquecidos da memória portuguesa, mas com um contributo enorme para a história e música portuguesa, cantando canções com letras de, por exemplo, Ary dos Santos, Manuel Alegre e Natália Correia, sobre as queixas e necessidades do povo e do país no período ditatorial, e também no pós 25 de Abril (como o caso do Grupo de Acção Cultural, um grupo de extrema-esquerda que cantou os problemas do país já depois da Revolução dos Cravos). Apreciem.
Adriano Correia de Oliveira – Trova do vento que passa



Fausto Bordalo Dias - Madrugada



Francisco Fanhais - Porque



Janita Salomé – Redondo vocábulo



GAC (Grupo de Acção Cultural) – Cantar da Jorna



José Mário Branco – Queixa das almas jovens censuradas



Luís Cília – Portugal resiste



Sérgio Godinho – Primeiro dia

sábado, abril 4

Cinema: A Exaltação Patriótica

Como vos tinha dito no meu anterior artigo hoje irei terminar a apresentação de filmes. Isto porque é a partir da década de 60 que surge o cinema a cores. Assim após este artigo irei apresentar-vos biografias de cineastas das décadas de 30, 40 e 50. Hoje os filmes que vos irei apresentar são “Nazaré” de Manuel Guimarães e “Chaimite” de Jorge Brum do Canto.

“Nazaré”

Sinopse:
Sempre presente como pano de fundo, o mar é símbolo de destruição ou de origem para a comunidade piscatória da Nazaré. Os sentimentos e conflitos individuais sobressaem dos dramas colectivos. Neste ciclo de nascimento-vida-morte são relatadas diversas histórias entre as quais a vida de dois irmãos, António Manata (Virgílio Teixeira) e Manuel Manata (Artur Semedo), um com personalidade forte e corajoso outro fraco e covarde.
Curiosidades:
Filme realizado por Manuel Guimarães no ano 1952.
Teve a participação de Virgílio Teixeira (como António Manata); Helga Liné (como Maria da Nazaré); Artur Semedo (como Manuel Manata); Maria José (como Estrela); Luís Augusto (como Ti Augusto Mar Ruim); Manuel Lereno (como Torcido); Maria Olguim (como Ti Isaura); e Maria Schulze (como Emília).
O escritor neo-realista Alves Redol participou na realização do filme como argumentista.
“Nazaré” estreou no teatro Edén a 12 de Dezembro de 1952 e sofreu grandes cortes após a revisão prévia da Censura.



“Chaimite”

Sinopse:
População de Lourenço Marques, ano 1894. Vivem sob ataques do projecto inicial de Campanha Africana de António Enes e os seus companheiros. Vivesse grandes jornadas de Guerra e paralelamente o amor de pois soldados pela mesma mulher.

Curiosidades:
Filme de Jorge Brum do Canto, no qual participou como actor, no ano de 1953.

Com Jacinto Ramos (Mouzinho de Albuquerque); Jorge Brum do Canto (Paiva Couceiro); Augusto de Figueiredo (Caldas Xavier); Silva Araújo (António Enes); Emílio Correia (Interprete António); Julieta Castelo (Maria José Mouzinho de Albuquerque); Carlos José Teixeira (João Macário); e Artur Semedo (Daniel).


Foi considerado pelo Estado Novo como uma exibição exemplar relacionado com o esforço da protecção do ultramar português da cobiça estrangeira.


No ano de 1953 “Chaimite” recebeu o Grande Prémio e o Prémio de Melhor Actor – Emílio Correia - atribuídos pelo Serviço Nacional de Informação.


Estreou a 4 de Abril de 1953, no Monumental. Grandes esforços e quantias de dinheiro foram dispendidos para a realização deste filme. Contudo, para além de proporcionar, mais tarde, a falência da produtora Cinal (devido à pouca adesão do público), alterou o seu objectivo final. Deixou de ter o seu carácter de entretenimento para ser um dos meios utilizados pelo Estado Novo como propaganda do colonialismo português.


Apesar disto, após o filme “Feitiço do Império” de António Lopes Ribeiro, é considerado o segundo melhor filme colonial português.


quarta-feira, abril 1

Pintura: Há sempre um pintor dentro de nós!

Antes de começar este artigo devo, aos leitores e aos meus colegas, uma justificação por na semana passada não ter colocado o meu artigo como fora prometido. Para além dos vários trabalhos que tinha que realizar para o fim da semana anterior, este stress e o tempo que o teatro ocupa na quarta-feira fez com que me esquece de colocar o meu artigo. Assim decidi que seria mais adequado só colocá-lo esta semana.

O artigo de hoje é um complemento ao artigo anterior, em que apresentei o pintor Júlio Carmo Santos. Este artigo consistirá numa curta exposição sobre as obras deste pintor e sobre o principal movimento artístico em que Carmo Santos se insere, seguida por uma reflexão sobre a importância dos artistas no nosso concelho e sobre a relação pintor – público.

As obras de Carmo Santos são muito diversas, o pintor utiliza vários tipos de materiais como o pastel, carvão, aguarela e óleo, divergindo também no objecto de representação. Carmo Santos auto denomina-se como aguarelista, salientando-se as paisagens deslumbrantes cuja essência é muito bem captada pelo pintor. O retrato é uma outra representação a salientar no percurso de Júlio Carmo Santos. Fundamentalmente a carvão e a pastel os retratos do pintor são fabulosos, desenhados naturalmente e trabalhados de forma a que, através da simplicidade, se tornem retratos perfeitos e originais.

A pintura de Júlio Carmo Santos é constituída por características impressionistas, o que transparece na maioria dos seus alunos que optam por este movimento nas suas obras. Assim é o neo-impressionismo que envolve as obras do pintor. Este movimento apoia-se nas principais características do impressionismo de Manet, Degas e Monet, onde já não é tão valorizado o realismo e as técnicas académicas mas sim a impressão criada na tela que, sem o retrato fiel daquilo que é observado, representa uma realidade protagonizada pela luz e o movimento.
A razão principal para a realização deste artigo foi o facto de Júlio Carmo Santos ser meu professor de pintura, e de ter sido este mestre e pintor que me ensinou tudo o que sei sobre pintura a nível prático, e ter me levado a interessar-me pela história desta arte. É através da minha experiência que me baseio para este artigo.

Actualmente é raro encontrar alguém que conheça algum pintor do seu concelho, dizendo até que não exista quem se interesse por arte dessa forma na zona em que mora. Pois isso é o resultado do desconhecimento da população face a arte no nosso país e até do seu local de residência. A maioria das pessoas não se interessa, mas isso não significa que não exista cada vez mais interessados e profissionais nesta arte. A pintura é uma arte me ascensão no nosso concelho. Existem vários artistas que criam e participam em eventos artísticos no concelho, estimulando a população, promovendo e enriquecendo a nossa cultura. O GART, grupo de artistas amigos da arte é um dos exemplos da criação destes artistas. Este grupo foi criado pelo pintor Júlio Carmo Santos e é constituído por artistas do concelho, que através do GART participam activamente na cena cultural da zona. Assim é visível a importância dos artistas para a cultura de cada região, de cada país, de cada sociedade, são os artistas que mantém a cultura viva.

Mas os artistas não actuam por si só, baseiam-se também na relação pintor - público que é extremamente importante, pois a obra de um pintor é para ser vista, é uma demonstração de sentimentos, humores, talentos e ideias que o artista possui e que quer dar a descobrir a todos. Uma troca de experiências. Um pintor necessita vivamente de um público que se interesse pelas suas obras e que as critique, assim como o público necessita das obras, da arte para preencher a vida, para entender a vida e as suas diferentes perspectivas. Esta relação é muito íntima, pois o pintor transparece para os seus quadros o que demais profundo existe nele, e o público recebe tudo isto quando observa o quadro podendo provocar outras emoções. Esta relação torna-se ainda mais íntima e compreensiva através, por exemplo, da formação de pintura. Este tipo de aulas, como eu já tenho há mais de cinco anos, estreitou a relação pintor - público levando o artista a partilhar os seus segredos da arte com os seus alunos. Assim cada um pode conhecer melhor esta arte e os seus artistas, compreendendo-os e aprendendo cada vez mais com eles.

Em suma, aproveito para deixar a proposta de terem formação de pintura, pois ajuda a compreender a complexidade e simplicidade desta arte.