sábado, abril 25

Cinema: Géninha, Uma Carreira Curta Mas Prometedora

Hoje vou apresentar-vos a carreira de uma actriz portuguesa dos anos 40, Maria Eugénia. Depois deste artigo irei entrar na década de 60 com os filmes sonoros e mais tarde o fim da ditadura.

Nascida numa família de artistas, não admira que também ela viesse a ser uma artista. Maria Eugénia Rodrigues Branco, ou Géninha, nasceu a 1 de Abril de 1927 em Lisboa.

O seu pai e dois tios eram violinistas na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional e sua irmã, Maria Antonieta, era cançonetista, também ela da Emissora Nacional. Também Géninha se tornou uma artista não só da rádio mas também do cinema.


Foi através de uma fotografia sua que Artur Duarte chamou Géninha para uma audiência para se tornar na protagonista do filme “A Menina da Rádio”, em 1944. Com a sua estreia como actriz, abriram-se as portas da Rádio, cantando nos serões para os trabalhadores na Emissora Nacional.
Como muitos outros filmes, “A Menina da Rádio” estriou em Espanha e foi através desta estreia que o realizador Raul Afonso convidou Maria Eugénia para protagonizar “Os Heróis de 65”.

Depois desta estreia no estrangeiro, entre 1944 e 1948, participou numa cooperação luso-espanhola “O Hóspede do Quarto nº 13”, e noutros dois filmes espanhóis; “Quando os Anjos Dormem” e “Conflito Inesperado”.

Ainda em 1947, Artur Duarte volta a convidar a jovem para participar noutra produção, desta vez “O Leão da Estrela”. Neste filme contracenou com grandes actores portugueses dos anos de Ouro do Cinema Português. Todos eles, desde António Silva, Maria Matos, Milú, Laura Alves, Óscar de Lemos e Curado Ribeiro, ajudaram-na a ultrapassar as suas dificuldades, sendo este o seu último filme.
Após o filme “Quando os Anjos Dormem” onde contracenou com Amedeo Nazzari, é convidada pelo realizador Vittorio de Sica para participar num filme seu. Contudo, Géninha recusa o convite para se dedicar ao casamento e à família que constituiu mais tarde.Apesar de ter imenso talento, a sua carreira apesar de auspiciosa durou apenas 4 anos. Géninha diz terem sido os melhores anos da sua vida e “arrependo-me de não ter continuado naquela vida”.

terça-feira, abril 21

Arte Popular: 25 de Abril

Com o aproximar do 25 de Abril, vou dar um pouco de relevancia ao que foi esse dia marcante para Portugal.

Naturalmente que já ouviste falar no 25 de Abril de 1974, mas provavelmente não conheces as coisas como os teus pais ou os teus avós que viveram nesta época. Sabias que o golpe de estado do 25 de Abril de 1974 ficou conhecido para sempre como a "Revolução dos Cravos"?

Diz-se que foi uma revolução porque a política do nosso País se alterou completamente. Mas como não houve a violência habitual das revoluções (manchada de sangue inocente), o povo ofereceu flores (cravos) aos militares que os puseram nos canos das armas. Em vez de balas, que matam, havia flores por todo o lado, significando o renascer da vida e a mudança!


O povo português fez este golpe de estado porque não estava contente com o governo de Marcelo Caetano, que seguiu a política de Salazar (o Estado Novo), que era uma ditadura. Esta forma de governo sem liberdade durou cerca de 48 anos. Enquanto os outros países da Europa avançavam e progrediam em democracia, o regime português mantinha o nosso país atrasado e fechado a novas ideias. Sabias que Portugal estava tão pobre que as crianças sem dinheiro só podiam ir à escola até à 4ª classe? E os professores castigavam muito os alunos que não aprendiam.


Todos os homens eram obrigados a ir à tropa (na altura estava a acontecer a Guerra Colonial) e a censura, conhecida como "lápis azul", é que escolhia o que as pessoas liam, viam e ouviam nos jornais, na rádio e na televisão. Antes do 25 de Abril, todos se mostravam descontentes, mas não podiam dizê-lo abertamente e as manifestações dos estudantes deram muitas preocupações ao governo. Os estudantes queriam que todos pudessem aceder igualmente ao ensino, liberdade de expressão e o fim da Guerra Colonial, que consideravam inútil.


Sabias que os países estrangeiros, que no início apoiavam Salazar e a sua política, começaram a fazer pressão contra Portugal. Por isso o governante dizia que o nosso País estava "orgulhosamente só". Quando Salazar morreu foi substituído por Marcelo Caetano, que não mudou nada na política. A solução acabou por vir do lado de quem fazia a guerra: os militares. Cansados desse conflito e da falta de liberdade criaram o Movimento das Forças Armadas (MFA), conhecido como o "Movimento dos Capitães".


Depois de um golpe falhado a 16 de Março de 1974, o MFA decidiu avançar. O major Otelo Saraiva de Carvalho fez o plano militar e, na madrugada de 25 de Abril, a operação "Fim-regime" tomou conta dos pontos mais importantes da cidade de Lisboa, em especial do aeroporto, da rádio e da televisão. As forças do MFA, lideradas pelo capitão Salgueiro Maia, cercaram e tomaram o quartel do Carmo, onde se refugiara Marcelo Caetano. Rapidamente, o golpe de estado militar foi bem recebido pela população portuguesa, que veio para as ruas sem medo. Depois de afastados todos os responsáveis pela ditadura em Portugal, o MFA libertou os presos políticos e acabou com a censura sobre a Imprensa.


E assim começou um novo período da nossa História, onde temos liberdade, as crianças todas podem ir à escola e o País juntou-se ao resto da Europa. Mas ainda há muito, muito caminho a percorrer.


informo tambem que os meus artigos vão ser postados daqui a diante as terças-feiras.

segunda-feira, abril 20

Literatura: As palavras do palco e do espectáculo

O assunto que hoje vos trago recordou-me, por alguma estranheza que vos cause nos primeiros tempos, uma questão pouco consensual que dividiu a população portuguesa e que, consoante os anos vão correndo com mais ou menos celeridade, assim a questão se vai apresentando com alguma urgência ou pouca nos diversos países e no seio das suas sociedades. Não me refiro ao problema eleitoral, que esse já vai mais longe e aproxima-se de novo, este ano com grande variedade de processos e de órgãos a eleger, contando, se o bem puder adiantar ao mal, com a minha participação no sufrágio. Refiro-me, sim, ao problema do aborto, que terminou com a aceitação pela larga maioria dos portugueses, repercutindo-se essa escolha numa nova política de assistência médica e de apoio às grávidas que já compreende a liberdade da futura progenitora de tomar uma posição em assuntos que anteriormente competiam simplesmente à autoridade divina ou ao escândalo e clandestinidade. As discussões relativas à ética de tal procedimento rodeavam a questão "será aquele feto uma criança e, portanto, uma pessoa cuja morte é reprovável?", e na verdade aquilo que ali se cria é já uma criança. Surge a problemática de ser possível, ou não, ser-se antes de verdadeiramente o ser. Um feto é um feto, um bebé é um bebé, uma criança é uma criança: todas estas são fases da mesma evolução que temos de atravessar e vencer para chegarmos à idade que hoje nos pertence. Contanto que um feto dispense as características, ou algumas delas, que nos aparecem fundamentais à consolidação da espécie humana, aquilo que ali se cria e ganha forma somente resultará num humano, e nunca num orangotango.

O teatro português, enquanto afirmação de um género literário sólido e que aproveite dos aspectos dos variados movimentos literários que se vão manifestando na cultura, é justamente como um pequeno feto que muitos críticos, historiadores e intelectuais pretendem recusar, recorrendo a um aborto daquilo que já se formou em vários séculos de História. O teatro português, com efeito, faz a diferença numa arte como a literatura, que conhece em Portugal um dos países em que mais ela tem evoluído e conhecendo uma qualidade invulgar, a nível da poesia e do género narrativo. Outros países, como a Espanha, a França e a Inglaterra, viram no seu passado o grande acesso da população aos teatros e a sua preferência evidente por este género de literatura, ao contrário da evolução histórica de Portugal. Para justificar tal fenómeno não ocorre, à grande parte dos estudiosos, uma razão absoluta que tudo consiga explicar e que ouse apontar uma possível solução que vise a criação do panorama teatral português, que nunca foi concluída. No século XIX, dois grandes génios das nossas letras entenderam e escreveram que Portugal não possui, efectivamente, um teatro próprio, para o qual contribuem artistas e conteúdos crescentes: refiro-me a Almeida Garrett e a Eça de Queiroz. Este último deixou a sua grande marca no romance português, na narrativa, considerado ainda hoje o grande romancista do nosso país. O outro, por seu lado e em oposição, foi o grande dramaturgo português após Gil Vicente, e portanto conta-se entre as personalidades que menos fundamentação parecem ter para defender a inexistência de um teatro nacional. Todavia, trata-se de uma personalidade especial, simplesmente especial, a quem nem sempre podemos atribuir a posse da razão: Garrett é tido como o auge do romantismo português e ele próprio negava ser um romântico. Almeida Garrett é, a par de José Saramago, o escritor português que mais capacidades demonstrou na produção dos três géneros literários: narrativa, poesia e drama. Na verdade, Eça e Garrett falavam com sinceridade e com razão suficiente para se recordarem tais afirmações: o teatro português não existe como existe a poesia portuguesa ou o romance português. O teatro português é somente o resultado do trabalho de personalidades isoladas, ou quanto muito de gerações que deram algum protagonismo ao teatro na cena cultural do nosso país. Assim sendo, o teatro português não revê os diversos movimentos artísticos que a literatura conheceu, mas sim divide-se nas produções e nas características dos seus autores.

Antes do século XX, apenas Gil Vicente e Almeida Garrett haviam dedicado à criação dramática os seus preciosos dotes. Nesse século, várias outras personalidades pretenderam dar o seu contributo para a evolução do teatro. Entre eles, com obras de grande importância e relevo, encontramos Fernando Pessoa, Almada Negreiros, António Patrício, Júlio Dantas, Raul Brandão, José Régio, Jorge de Sena e, mais tarde, Bernardo Santareno, Luiz Francisco Rebello, José Cardoso Pires e Luis de Sttau Monteiro. A divisão de autores a que procedi não carece de legitimação: fi-lo pela convicção de que o teatro português do século XX pode, e deve, ser estudado com base em duas fases. Primeiro, encontramos os modernistas e Júlio Dantas, que ambicionaram dar um novo fulgor à dramaturgia e lhe concederam um toque muito especial das suas características. Depois, a partir dos anos 50, a produção dramática baseou-se no conceito do neo-realismo e, em alguns casos, no teatro de Brecht - uma concepção criada por Bertolt Brecht, dramaturgo alemão, que defendeu uma revisita ao passado como um apelo à consciência do presente; estudar a História de um país ou de um povo para melhor se entender o ambiente presente e os problemas que se colocam hoje. A obra Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro, é o ícone português do chamado teatro de Brecht, e o seu carácter interventivo impediu-a de ser representada antes do 25 de Abril de 1975.

Luís de Sttau Monteiro nasceu no início do mês de Abril do ano de 1926, na capital, onde também viria a morrer no Verão de 1993. Seu pai exercia diplomacia, e Salazar ofereceu-lhe o cargo de embaixador de Portugal em Londres; Sttau Monteiro tinha poucos anos de idade. Graças ao cargo do pai, viria a crescer na "livre Inglaterra", como lhe chamava o Presidente do Conselho, longe da pátria, mas perto tanto dos problemas portugueses que se conheciam no estrangeiro como das mais modernas tendências da arte, num país onde sempre confluíram muitos artistas de todas as áreas. Tomou conhecimento, naturalmente, com o conceito de teatro de Brecht, que mais tarde introduziria na realidade portuguesa. Aquando da demissão do seu pai do dito cargo, por ordem de Salazar, Sttau Monteiro regressou a Portugal, onde, por poucos anos, exerceu advocacia. Acabaria por se notabilizar como escritor, principalmente dramaturgo. Em 1961 publicou a sua reconhecida obra Felizmente Há Luar!, texto que lhe valeu o Grande Prémio de teatro. Porém, o organismo de censura do Estado Novo não autorizou a representação da peça de Sttau Monteiro, quebrando a relação autor-obra-público, que no teatro se assume mais importante ainda que nas demais formas de arte. A sua publicação somente para leitura, no entanto, fez com que a mensagem da obra chegasse a algum público, mais restrito e com acesso mais fácil às produções literárias nacionais e à sua compreensão.

José Saramago, como já referi atrás, é um escritor completo, com obras de qualidade no campo narrativo, lírico e dramático. Entre as suas obras em drama sugiro a esplêndida A Noite: aclamada como a melhor peça de teatro representada em Portugal no ano de 1979. Não obstante estes sucessos e esta qualidade que lhe é plenamente reconhecida interna e internacionalmente, Saramago surge no conjunto dos mais fabulosos artistas portugueses de sempre pelos seus romances. José Saramago, o escritor português mais importante do século XX, a par com Fernando Pessoa, será o tema dos próximos cinco artigos acerca de literatura neste blogue.

domingo, abril 19

Cinema: Manuel Guimarães- Uma Vida Censurada

Manuel Guimarães nasceu em Albergaria-a-Velha no ano de 1915. A sua carreira de cineasta destacou-se entre outros profissionais da altura da mesma arte pela tentativa de introdução do neo-realismo nas suas obras muito censuradas.

Após ter concluído o Curso Geral de Liceus, em 1931, frequentou o Curso de Pintura na Escola de Belas Artes do Porto. A partir de 1936 Manuel Guimarães dedica-se como decorador teatral, ilustrador e caricaturista. Foi como desenhador de cartazes para o cinema, assinando como “Magui”, que se apaixonou pela 7ª arte. Assim começou a trabalhar como assistentes de outros importantes cineastas como Manoel Oliveira, António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Armando Miranda e Artur Duarte, em 1942.
A sua primeira obra foi um documentário de curta-metragem “O Desterrado”, em 1949, sobre a vida e obra do escultor Soares dos Reis. Esta sua primeira obra valeu-lhe o Prémio Paz dos Reis atribuído pelo Secretariado Nacional de Informação. Entusiasmado pelo prémio realizou a sua primeira longa-metragem “Saltimbancos”, em 1951, adaptada da obra de Leão Penedo.

Em 1952, tal como Leitão de Barros, realiza o filme “Nazaré”, no qual teve a participação de Alves Redol, baseado na vida de uma vila piscatória de Nazaré, mas com uma perspectiva mais social. Contudo, a Censura põe em acção o seu lápis azul cortando diversas cenas. Todavia, o filme “Vida sem Rumo”, em 1956, sofreu graves cortes, ficando cerca de metade do filme cortado tornando cenas incompreensíveis.


Querendo continuar as suas obras, Manuel Guimarães faz incursões pelos documentários, como “As Corridas Internacionais do Porto”, em 1956, “O Porto é Campeão”, em 1956, e “XXX Volta a Portugal em Bicicleta”, em 1957. Realizou também “A Costureirinha da Sé” no ano 1958, que teve pouco sucesso e tendo carácter de publicidade de certas marcas como muitas outras obras de Manuel Guimarães.
A carreira do cineasta Manuel Guimarães foi marcada pelos documentários realizados por si, apresentando obras de cultura portuguesa como “O Ensino das Belas Artes”, 1967; “Tapetes de Viana do Castelo”, 1967; “António Duarte”, 1969; entre muito outros.

Com a chegada da “Revolução dos Cravos” e consequentemente a abolição da Censura, uma nova luz aparece na vida e carreira de Manuel Guimarães. Porém, a luz depressa murcha. O cineasta adoece gravemente, acabando por morrer em 1975, deixando “Cântico Final” (titulo que poder caracterizar a sua última esperança), fica por concluir, sendo o seu filho Dordio Guimarães essa tarefa.

Apesar da sua morte, ficou a sua vontade de introduzir novos conteúdo na sétima arte portuguesa. A sua obra ficará e consigo a sua carreira impedida de avançar e brilhar ainda mais!

Filmologia

O Desterrado - 1949
Saltimbancos - 1951
Nazaré - 1952)
Vidas Sem Rumo - 1956)
As Corridas Internacionais do Porto - 1956)
XXX Volta a Portugal em Bicicleta - 1957)
O Porto é Campeão - 1956)
A Costureirinha da Sé - 1958)
Barcelos - 1961)
Porto, Capital do Trabalho - 1961)
Bi-seculares - 1961)
Crime de Aldeia Velha - 1964)
O Trigo e o Joio - 1965)
Artes Gráficas - 1967)
O Ensino das Belas-Artes - 1967)
Porto, Escola de Artistas - 1967)
Tapetes de Viana do Castelo - 1967)
Tráfego e Estiva - 1968) - primeiro filme português em 70mm
António Duarte - 1969)
Fernando Namora - 1969)
Resende - 1969)
Viagem do TER / Expressos Lisboa-Madrid - 1969)
Areia, Mar - Mar, Areia - 1970)
Cântico Final – 1976 (terminado pelo seu filho)

quinta-feira, abril 16

Pintura: Alice Jorge, A Artista

Aproveitando o anterior artigo em que apresentei o Museu do Neo-Realismo, no artigo de hoje falar-vos-ei de uma artista plástica cujo nome foi referido na exposição deste museu. Esta artista chama-se Alice Jorge e ficou conhecida como pintora, gravadora e ceramista.

Alice Jorge nasceu em 1924 e veio a morrer a Fevereiro de 2008. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes, porém não pôde concluir o curso devido a um professor que teimava em chumbar todos os alunos que viessem da Escola António Arroio. O que a levou a concluir os seus estudos no Porto, assim como Júlio Pomar com quem teve casada durante vários anos.

No inicio Alice Jorge esteve relacionada com o neo-realismo, desenvolvendo um trabalho muito particular centralizado na representação da mulher. Mais tarde prosseguiu por outros caminhos na área da pintura, destacando-se o abstraccionismo. A artista começou por expor os seus trabalhos nos anos 50 e já no fim desta década, em 1956, foi uma das fundadoras da Cooperativa de Gravadores Portugueses que tem o nome de Gravura. Esta cooperativa ainda existe actualmente e teve um importante papel na renovação da gravura no nosso país.

A partir de 1960 que Alice Jorge participou em diversas exposições individuais em Lisboa e no Porto. Em 1972 a Fundação Gulbenkian, em Lisboa, apresentou uma retrospectiva da obra da artista.


Para além do seu trabalho com pintora e gravadora, a artista Alice Jorge também se distinguiu na ilustração de livros. Colaborou na ilustração de obras de autores como Aquilino Ribeiro, Matilde Rosa Araújo e David Mourão Ferreira. Também ilustrou edições portugueses de livros estrangeiros reconhecidos como Decameron, Mil e Uma Noites, Novelas Exemplares de Cervantes e a Divina Comedia.

Apesar de ter frequentado o curso de Pedagogia na Faculdade de Letras em Lisboa, Alice Jorge não ensinou em nenhuma escola pública do país até depois de 1974, situação decorrente da oposição da artista ao regime. Já nos anos 90 a artista foi representada pela sua obra gravada na Bienal de Gravura da Amadora, em 1992, e cinco anos mais tarde recebeu o Grande Prémio de Aquisição.

Alice Jorge foi uma artista extremamente importante para a arte em Portugal no século anterior, deixando a sua herança não só através das suas obras como também através do facto de ter sido uma mulher bastante forte e determinada no mundo artístico, que ainda é maioritariamente dominado por artistas do sexo masculino.


«"Uma mulher extraordinária", não apenas pelos seus "altos méritos artísticos e pedagógicos", mas também pela "coerência e dignidade" com que, "antes e depois do 25 de Abril, sempre se envolveu em grandes causas humanas e políticas, e defendeu os valores da liberdade e da democracia".» in PÚBLICO 19-02-2008